Qual foi a última vez que você fez uma lista de supermercado ou deixou um recado preso na geladeira para alguém? Independente da ferramenta, se lápis, caneta ou lapiseira, parece que está cada vez mais difícil escrever a mão, não é? Isso se deve principalmente pelos nosso hábitos modernos.
O uso constante de telas fez com que muitos de nós tenhamos perdido muito da habilidade de escrever a mão. Não se trata apenas de ter uma letra bonita ou feia. Nosso cérebro cria conexões através de repetições que acabam por se tornar hábitos. Com a escrita não é diferente. A memória muscular necessária para escrever a mão se torna “fraca”. Sim, precisamos “malhar” nossos músculos da mão e antebraço para escrever. Parece óbvio, mas muitas vezes não percebemos que nossa mão dói para escrever por simples falta de prática e por isso escrevemos cada vez menos.
O Desafio na Alfabetização
Se para os adultos, escrever a mão tem se tornado um problema, imagine para uma criança na fase de alfabetização ou nos primeiros anos do ensino fundamental. Aprender a segurar um lápis corretamente é uma etapa fundamental no desenvolvimento da psicomotricidade fina. Muitos professores relatam dificuldades dos alunos em tarefas simples, como segurar um lápis, saber a ordem correta da escrita manual, ou simplesmente, não conseguirem se manter dentro de uma linha na pintura.
Estudos já revelaram que a escrita manual gera padrões de conectividade cerebral muito mais elaborados do que digitar. Enquanto a digitação ativa vias motoras cerebrais sempre repetitivas e limitadas, na escrita manual a retenção de memórias e codificação de novas informações é significativamente maior. Crianças que aprendem e praticam a escrita manual tem maior fluência de leitura e compreensão. Existem duas formas principais de expressão de ideias no âmbito educacional: a oral e a escrita. Quando esta última é negligenciada, perde-se uma parcela essencial da habilidade do estudante de sintetizar ideias e refletir sobre elas.
A Importância do Analógico e o Papel da Família
A mudança de hábito, no entanto, precisa começar no ambiente familiar. O exemplo dos pais é determinante para o interesse das crianças em qualquer área. A leitura e a escrita não são diferentes. Se os adultos permanecem conectados ao celular durante as refeições e momentos de lazer, dificilmente o filho associará a leitura e a escrita a algo prazeroso.

Dominar a escrita cursiva também é uma peça chave no desenvolvimento cognitivo. Você já percebeu como escrever a mão com letra cursiva é mais rápido do que escrever com letra de forma? Isso acontece porque o lápis não abandona o papel em nenhum momento durante o registro com a letra cursiva. Mas isso não se trata apenas de eficiência; novamente aparecem as conexões cerebrais. Quem escreve em cursiva tem conexões muito mais robustas.
Dicas para Escrever a Mão
- Faça listas, inclua as crianças na elaboração de listas de supermercados, de convidados, de presentes…
- Incentive a troca de bilhetes entre as pessoas da sua família;
- Estimule o hábito de escrever em diários e Commonplace books
Se você gostaria de escrever, mas acha sua letra feia, lembre-se, a escrita manual também é uma forma de expressão. Cada pessoa tem sua própria maneira de traçar as letras, mostrando, dessa forma, um pouco da sua personalidade. Se ainda assim você não estiver satisfeito, o seu cérebro só entende uma coisa: prática. Uma forma muito interessante de melhorar a letra cursiva são as técnicas de Lettering. Existem inúmeros tutoriais pela internet que ensinam a iniciar nessa arte.
