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A série de livros “Duna”, escrita por Frank Herbert, é uma das mais aclamadas sagas de ficção científica de todos os tempos. Publicada pela primeira vez em 1965, os livros não apenas conquistaram fãs ao redor do mundo, mas também influenciaram diversos aspectos da cultura pop e do gênero literário. Vem comigo explorar um pouco a profundidade e o impacto de “Duna”.

Atenção! O texto pode conter spoilers mínimos dos livros e filmes!

Duna e a Ascensão de Paul Atreides

A jornada de “Duna” começa 20 mil anos no futuro. Enquanto a humanidade já conquistou o espaço e colonizou outros planetas e simultaneamente vive em uma espécie de feudalismo planetário. Nesse livro, somos apresentados ao jovem Paul Atreides, cuja família assume o controle do planeta desértico de Arrakis. Este planeta é a única fonte da substância mais valiosa do universo: a melange, também conhecida como especiaria.

A especiaria é uma droga psicoativa que permite aos navegadores espaciais encontrarem as melhores rotas de navegação no universo. Sem ela, não haveriam viagens espaciais. No entanto, ela causa dependência, o que também promove uma verdadeira guerra pela sua exploração. Um dos maiores empecilhos à exploração da melange são os vermes gigantes, criaturas que vivem sob as areia de Arrakis e são atraídos por qualquer vibração.

Ilustração dos vermes gigantes de Arrakis.
Vermes gigantes de Arrakis

Quem é quem em Duna?

Da mesma forma que o clima impiedoso e os vermes castigam os exploradores da especiaria, em Arrakis também existem os Fremen. Habitantes originais do planeta, os Fremen adaptaram muito da sua tecnologia e da sua própria biologia para lidar com calor excessivo e com a falta de água no planeta. São guerreiros muito habilidosos e possuem uma cultura em que se percebe muito a inspiração do autor com a cultura do Oriente Médio e do norte da África.

Neste primeiro volume, acompanhamos os conflitos entre os Atreides e os Harkonnen, a família que explorava Arrakis antes da chegada do Duque Leto Atreides e que foi “expulsa” pelo imperador. Antes de mais nada, existe um jogo de poder e influência acontecendo nos bastidores. Não sabemos exatamente do que se trata. Leto sabe que algo vai acontecer quando é convocado pelo imperador para assumir Arrakis, mas não sabe exatamente o que. Infelizmente, descobrimos junto com Leto quando já é tarde demais.

Existem muitos outros atores nessa ópera espacial. Desde a casa imperial Corrino, os Mentats, os Suks, os guerreiros, seguindo um longo caminho até chegar no que considero a raiz dos problemas, as Bene Gesserit. A irmandade é uma ordem muito antiga, formada apenas por mulheres, cujas ações moldaram a humanidade. Em outras palavras, seu objetivo era criar um Kwisatz Haderach, uma espécie de messias, que dominaria e ampliaria todos os poderes até então somente concedido às mulheres, mas que na realidade estaria sob o comando da ordem.

A Expansão do Universo: Os Livros Sequenciais

Após o sucesso de “Duna”, Frank Herbert continuou a saga com várias sequências, cada uma expandindo o universo e aprofundando os temas iniciais. “Messias de Duna” e “Filhos de Duna” seguem a trajetória de Paul e seus descendentes, explorando as consequências de suas ações e o peso do poder absoluto. A série avança com “Imperador Deus de Duna”, “Hereges de Duna” e “As Herdeiras de Duna”, cada um adicionando novas camadas de complexidade à história.

O autor aborda questões profundas sobre a natureza humana, o destino e a interdependência entre os seres vivos e seus ambientes. Além disso, Herbert não se esquiva de criticar a dependência excessiva das pessoas em líderes carismáticos e a religião organizada, temas que ressoam fortemente em qualquer era. Herbert cria um cenário rico em detalhes, onde política, ecologia, religião oriental, antropologia, ciências sociais, drogas e contracultura se entrelaçam de maneira muito complexa.

O Legado de Duna: Influência Cultural e Adaptações

“Duna” não é apenas uma série de livros; é um fenômeno cultural. A profundidade de sua construção de mundo e a relevância de seus temas inspiraram inúmeras obras subsequentes em diversos meios. Filmes, séries de televisão, jogos e até mesmo outras obras literárias beberam da fonte criada por Frank Herbert.

Duna foi adaptado para o cinema em 1984, com direção de David Lynch. O diretor deixou muito claro que o filme que foi lançado não era o filme que queria ter feito. Isso deve-se aos vários cortes do estúdio e de não ter tido o poder de editar a versão final do filme.

Em 2021, uma nova adaptação cinematográfica dirigida por Denis Villeneuve trouxe “Duna” de volta aos holofotes, apresentando a história a uma nova geração de fãs. O filme, que abrange somente a primeira metade do livro original, foi aclamado tanto pela crítica quanto pelo público e conseguiu criar uma identidade visual muito intensa, capaz de cativar mesmo aqueles pouco ou nada familiarizados com o material original. A chegada de Duna Parte II em 2024, provou que o diretor conseguiu se manter consistente à proposta e repetiu o feito do primeiro filme construindo um épico grandioso.

Conclusão

A série “Duna” de Frank Herbert continua a ser uma pedra angular da ficção científica. Sua mistura única de aventura, filosofia e comentário social garante que ela permaneça relevante e inspiradora. Ao mergulhar no universo de “Duna”, os leitores encontram mais do que uma história envolvente; eles descobrem uma reflexão profunda sobre a humanidade e seu lugar no cosmos.


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